• Entrar
  • Nenhum produto no carrinho.

Competências Sociais: O que é, qual sua importância e como intervir (Parte I)

Competência Social

Interações sociais são parte fundamental da vida dos seres humanos. Nossa capacidade de gerenciar de maneira satisfatórias essas interações é comumente chamado competências sociais. Uma definição comumente utilizada é da professora Linda Rose-Krasnor e do professor Kenneth Rubin, ambos da univesidade de Maryland, os quais propõem que competência social envolve realizar as necessidades dos outros, por um lado, e realizar a suas próprias, por outro (1992 e 1997).

 

Dimensões da Competência Social

Para crianças e adolescentes com e sem prejuízos identificados, a capacidade de interagir com sucesso com pares e adultos pode ser o aspecto mais importante do desenvolvimento em relação a como será sua vida adulta. Rydell, Hagekull, and Bohlin (1997), identificaram duas dimensões de competência social: orientação prosocial (realizar a necessidade do outros) e iniciativa social (realizar as próprias iniciativas).

 

Competência Social na vida Real

Indivíduos socialmente competentes geralmente apresentam algum domínio das seguintes áreas:

  1. Conhecem, compreendem e manejam regras sociais, papéis e rotinas que se aplicam em situações sociais que são pessoalmente relevantes (por exemplo, escola, casa, áreas de lazer, reuniões sociais).

Conseguem interpretar e ler o comportamento dos outros, assim como seus estados emocionais, em geral, de maneira correta.

  1. Eles reagem aos estados emocionais e comportamentais dos outros de uma maneira emocionalmente consistente (empatia).
  2. Querem agir (intenções) e estão dispostos a agir (hábitos) de uma forma que geralmente é consistente com o seu conhecimento das regras sociais, papéis e rotinas, e com suas “leituras” dos outros e suas necessidades.
  3. Têm a confiança necessária para interagir socialmente e aceitar a vulnerabilidade associada à possível rejeição.
  4. Geralmente agem de maneira socialmente competente. Os resultados importantes da competência social são a aceitação dentro de grupos de pares e amizades relevantes.

 

Por que competêncial social e não habilidades sociais.

O uso do termo “competência social” em vez do termo “habilidades sociais”, mais comumente usado, é empregado pois “habilidades” geralmente sugere que a prática de certos comportamentos socialmente positivos é tudo que uma pessoa precisa fazer para ser bem-sucedida socialmente, ser aceita em grupos sociais relevantes e ter amigos.

 

 

 

 

Competência social envolve

Então “Habilidades”, neste sentido, certamente não são tudo o que é necessário para uma pessoa ser socialmente competente e ter amigos. Diversas falhas podem acontecer entre ter a “habilidade” e utilizá-la de forma competente. Algumas estão expostas a seguir:

  1. Não sabe empregar: Uma pessoa pode possuir as habilidades (comportamentos), mas não usá-las ou não saber usá-las nas ocasiões certas.
  2. Não sabe ler o outro: Alternativamente, uma pessoa pode possuir as habilidades (comportamentos), mas falta a capacidade de “ler” os outros, interpretar corretamente as realidades sociais ou reagir de uma maneira emocionalmente apropriada, deixando assim de agir de maneira socialmente bem-sucedida.
  3. Dificuldades de ansiedade social:Da mesma forma, uma pessoa pode possuir as habilidades (comportamentos), mas falta a confiança necessária para entrar no “ballet social” e dançar a dança social.
  4. Desafiante: Finalmente, uma pessoa pode possuir as habilidades (comportamentos), mas simplesmente não está interessada em ser aceita por colegas ou ter amigos.

 

Competência Social depende de contexto

Além disso, as habilidades ou comportamentos específicos associados à competência social variam de um contexto social para outro e de um grupo social para outro.

Por exemplo, os comportamentos sociais observados no clube de ciências na escola tendem a ser bem diferentes daqueles observados em grupos de praticantes de skate na rua. Para ser bem-sucedido na escola é necessário um conjunto bem específico de competências (por exemplo, competências interativas específicas com professores, comportamentos específicos em sala de aula e afins) e essas habilidades talvez precisem ser ensinadas. No entanto, o sucesso com os amigos e outros grupos de pares varia de acordo com os valores e expectativas dos indivíduos relevantes.

Comunicação social está incluída na competência social, por mas que não é a única. Entre os diversos componentes não verbais da comunicação, cito:

  • Vestimenta e higiene,
  • Competência com atividades que são populares dentro de grupos sociais relevantes (por exemplo, videogames, esportes, dança e afins),
  • Transporte para reuniões sociais relevantes,
  • Controle de impulso,
  • Habilidades cognitivas, como a resolução eficaz de problemas sociais,
  • Leitura de pistas não-verbais e afins.

Entretanto, habilidades de comunicação são críticas e são os melhores preditores de aceitação social na primeira infância (Santos, Vaughn, Peceguina, Daniel e Shin, 2014) e no ensino fundamental I(Whalon, Conroy, Martinez, e Werch, 2015). As principais habilidades são:

1) entrar em interação (ou seja, iniciar),

2) manter interação social e

3) resolver conflitos.

 

Essas habilidades de comunicação se mostram essenciais para as novas e mais complexas formas do ballet social, que se iniciam no fim da infância e no início da adolescência, tais como:

  • gozações
  • provocar e receber provocações,
  • elogiar e receber elogios,
  • argumentar assertivamente, mas não de forma agressiva,
  • manter conversas sobre tópicos populares em grupos sociais relevantes e afins.

 

Essas novas situações vão exigir o máximo de competência social. O próximo artigo irá tratar a respeito de como caminhar em direção a um plano de intervenção que contemple o desenvolvimento de competências e habilidades sociais na infância e adolescência.

 

Bibliografia Consultada

  1. Rubin KH, Rose-Krasnor L (1992) Interpersonal problem-solving and social competence in children. In: van Hasselt VB, Hersen M (eds) Handbook of social development: a lifespan perspective. Plenum, New York, pp 283–323
  2. Rose-Krasnor L (1997) The nature of social competence: a theoretical review. Soc Dev 6(1):111–135. https://doi. org/10.1111/j.1467-9507.1997.tb00097.x
  3. Rydell A-M, Hagekull B, Bohlin G (1997) Measurement of two social competence aspects in middle childhood. Dev Psychol 33(5):824. https://doi.org/10.1037/0012-1649.33.5.824
  4. Saarni C: The Development of Emotion Competence. Guilford Press; 1999.
  5. Santos, A. J., Vaughn, B. E., Peceguina, I., Daniel, J. R., & Shin, N. (2014). Growth of social competence during the preschool years: A 3‐year longitudinal study. Child Development85(5), 2062-2073.
  6. Whalon, K. J., Conroy, M. A., Martinez, J. R., & Werch, B. L. (2015). School-based peer-related social competence interventions for children with autism spectrum disorder: A meta-analysis and descriptive review of single case research design studies. Journal of autism and developmental disorders, 45(6), 1513-1531.
  7. Ylvisaker, M., Turkstra, L. S., & Coelho, C. (2005, November). Behavioral and social interventions for individuals with traumatic brain injury: A summary of the research with clinical implications. In Seminars in speech and language(Vol. 26, No. 04, pp. 256-267). Copyright© 2005 by Thieme Medical Publishers, Inc., 333 Seventh Avenue, New York, NY 10001, USA..

 

 

 

18 outubro, 2018

1 responses on "Competências Sociais: O que é, qual sua importância e como intervir (Parte I)"

  1. ótimo material. muito interessante.

Leave a Message

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Template Design © VibeThemes. All rights reserved.
X