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Como lidar com as Distorções cognitivas / Parte 3

Autor: Dr Thiago Rivero


Como Investigar as Crenças Irracionais? Frente a um antecedente desastroso e a uma consequência negativa existe uma crença irracional. Uma alternativa para a investigação destas crenças seria a utilização de questões como:

  • Que coisas lhe inspiram terror, ansiedade, medo?
  • Quais são os seus “não posso suportar” ou “não aguento”?
  • Quais são seus sentimentos de derrota, suas ideias de inadequação, incapacidade e não aceitação de si mesmo?

Para outros casos podemos abordar a investigação da demanda: buscando seus significados, procurando os esquemas que sustentam essas demandas, usando recursos emotivos e experiências para criar fortes laços para modificar essas demandas e/ou buscando os porquês mais profundos. Exemplos de Abordagens

  • Quando as inferências causadoras do mal estar são válidas, apenas poderemos enfrentar as demandas que não sejam;
  • As demandas podem ser discutidas de forma muito distinta dos supostos ou inferências, já que não são errôneas, mas sim irracionais / disfuncionais;
  • Quando uma norma não está fundamentada ou surge de interpretações errôneas, se discute a norma.

Discutir as inferências é mais fácil, eficaz e convincente em geral, porém quando isso não for possível (por serem verdadeiras ou porque o resultado não vai a fundo no problema ou não assegurar ser duradouro) será necessário abordar as demandas. A modificação das demandas, quando for pertinente, quase sempre significará uma mudança mais profunda e duradoura, do que simplesmente modificar as inferências. Um processo mais profundo e que requer mais tempo pode ser realizado quando as demandas ou inferências se mostram mais resistentes a mudança com os recursos habituais, então devemos nos perguntar sobre as crenças nucleares ou esquemas precoces inadaptados que poderiam sustenta-las, assim trabalharíamos com as estratégias mais apropriadas.

A quarta euréka: a auto aceitação x a auto condenação

A AUTO ACEITAÇÃO INCONDICIONAL Conforme a TREC, para atingir um grau de felicidade razoável, algumas crenças devem ser priorizadas e desenvolvidas, a auto aceitação é uma delas. É importante julgar os seus comportamentos, não a você mesmo, a seu Ego, sua personalidade ou sua essência. A autoestima implica dar-se um valor, entretanto é impossível qualificar globalmente, pois todos fazemos coisas boas e coisas más, bem como podemos começar a fazer ou deixar de fazer tais coisas.

ARREPENDIMENTO X CULPA

  • Arrependimento: do dicionário – ação de mudar de opinião ou comportamento em relação ao que já aconteceu (dentre outras) – para a TCC, qualifica o comportamento e permite modificar lhe, se for possível, ou deixar de fazer lhe.
  • Culpa: do dicionário – ato ou omissão repreensível ou criminosa; falta voluntária, delito, crime (dentre outras) – para a TCC, é disfuncional, supõe qualificar a pessoa por uma ação (supergeneralização).

A disputa cognitiva: objeções empíricas, lógicas e pragmáticas

O modelo cognitivo apresenta que as emoções e comportamentos das pessoas são influenciados pela percepção desenvolvida dos eventos. Dessa forma, é estabelecido três estilos de cognições negativas, chamada de tríade cognitiva: visão negativa de si, visão negativa dos outros/do mundo e visão negativa do futuro. Primeiramente temos a visão negativa de si mesmo, o sujeito acredita que é inadequado, ineficiente, fraco, despreparado, etc, levando a desenvolver uma forte autocrítica, contribuindo para uma baixa autoestima e baixa autoconfiança. Na visão negativa sobre os outros ou sobre o mundo, o sujeito tende a ver suas situações com os outros como negativas, não conseguindo enxergar a situação de maneira racional, mas sim por meio de pensamentos automáticos disfuncionais que geram interpretações distorcidas da realidade. Por fim, a visão negativa do futuro ocorre quando o sujeito antecipa seu sofrimento, fazendo previsões negativas a longo prazo, acreditando que passará por dificuldades, privações e frustrações, podendo desencadear desânimo e desesperança. A tríade cognitiva é ati vada por erros cognitivos, que surgem na forma de crenças e pensamentos automáticos, sobre as diversas situações que vivemos. Os erros cognitivos são erros sistemáticos do pensamento, interpretações que realizamos assim que nos deparamos com algum acontecimento, que na maioria das vezes surgem sem nem percebemos. Como vimos anteriormente, essas interpretações produzirão emoções e comportamentos, muitas vezes disfuncionais, a partir disso Beck listou alguns erros cognitivos / distorções cognitivas mais comuns.

 

PERSONALIZAÇÃO Definição: Atribuição responsabilidade pessoal para eventos sobre os quais a pessoa não tem controle. Acredita ser responsável por eventos que não dão certo, mesmo tendo outros fatores como responsáveis. Exemplos: “Sou responsável por meu time ter perdido”; “O trabalho não ficou bom, por culpa minha”; “Eu devo ter feito algo para ele ter terminado comigo”; “Eu nunca ganho um sorteio, eu tenho azar”. Correção: Procurar avaliar a situação e os prováveis fatores que contribuem para as más experiências. Buscar determinar de forma racional, qual sua responsabilidade nesta experiência negativa.

 

PENSAMENTO DICOTÔMICO Definição: Classificar as coisas em duas categorias, tudo ou nada, certo ou errado, oito ou oitenta, excluindo todas as possibilidades existentes entre os dois polos. Exemplos: “Deu tudo errado nessa apresentação”; “Ninguém gosta de mim, sempre fico sozinho”; “Se não der certo, minha tentativa não valerá a pena”; “Se meu professor não acredita em mim, eu devo ser horrível mesmo”. Correção: Buscar compreender que os eventos podem ser avaliados de outra forma, cometer um erro não faz com que tudo seja descreditado. LEITURA MENTAL Definição: Acreditar que é possível saber o que os outros estão pensando, deixando-se influenciar por meio de conclusões sem evidências. Exemplos: “Ele deve estar pensando que eu não sei nada”; “Eu não devo estar agradando”; “Eles devem estar escondendo algo de mim, se não, não olhariam para mim com aquela cara”. Correção: Examinar se há alguma evidência plausível, contrária e a favor, para que a outra pessoa chegue a esta conclusão.

 

FILTRO MENTAL Definição: Também conhecida como visão em túnel, é a incapacidade de a pessoa ver aspectos negativos e positivos em alguma situação. Há um foco atencional em alguma situação específica, enquanto outros aspectos relevantes são ignorados. Exemplos: “Ele não é um bom marido, não me ajuda a lavar a louça”; “Aquele professor não gosta de mim, ele não olha para mim durante a aula”; “O que importa ajudar em casa, se meus pais não ligam para mim”, “Não consigo arranjar uma namorada, deve ser porque eu não sou bonito”. Correção: Buscar gerar conclusões a partir da avaliação total das situações.

 

DESCONSIDERAÇÃO DO POSITIVO Definição: O sujeito anula informações positivas sobre si mesmo ou uma situação. Exemplos: “Não fiz mais que minha obrigação”; “Qualquer um poderia fazer igual”; “Essa promoção que ganhei não significa nada, eu não fiz nada para conquista-la”; “Deveria ter me esforçado mais, só consegui metade do que havia planejado”. Correção: Compreender como outras pessoas enxergam a mesma situação e quais pontos da situação vivida são positivos.

 

RACIOCÍNIO EMOCIONAL Definição: Acreditar que sentimentos são fatos. Pensar que porque sente alguma emoção forte, é real. Mais ligado a emoções negativas. Exemplos: “Sinto que não vou conseguir me apresentar”; “Sinto que meus pais não gostam de mim”, “Algo muito ruim vai acontecer, não sei o que fazer”. Correção: Compreender as situações de uma forma mais racional, buscando evidências para os pensamentos.

 

MAGNIFICAÇÃO E MINIMIZAÇÃO Definição: Experiências negativas são maximizadas, enquanto experiências positivas são minimizadas. Pode ser atribuída a experiências, atributos pessoais, eventos ou possibilidades futuras. Exemplos: “Não quero tomar esse remédio, tem muitos efeitos colaterais”; “Essa dor que eu estou sentindo deve significar que eu vou morrer”; “Eu fui bem na prova, mas não tinha me esforçado nos estudos, devia ter feito mais”. Correção: Tentar avaliar a situação e suas probabilidades, sempre ponderando os prós e os contras, focando no real.

 

ROTULAÇÃO Definição: Avaliação geral de uma pessoa ou situação por meio de algum estereótipo, desconsiderando características pessoais de cada caso. Exemplos: “Ele é um fraco”; “Eu não sou homem suficiente”; “Ela é uma menina fácil”; “Você é preguiçoso”; “Ele não tem jeito, é um mentiroso”. Correção: Analisar a pessoa ou a situação de maneira mais ampla, prestando atenção em características pessoais e não se deixando levar por rótulos estabelecidos socialmente.

 

DITADURA DO DEVERIAS Definição: Focar em como as coisas deveriam ser, deixando de lado a forma como realmente é. Exemplos: “Deveria ter escrito aquele texto antes”; “Só poderei ficar em casa se eu ficar doente”; “Devia ter me esforçado mais, por isso não conquistei”; “Deveria aceitar o que ela me disse”. Correção: Entender a necessidade de sempre achar que deveria ter feito mais, ter sido melhor. A partir disso, trabalhar o esforço realizado como o possível, naquele momento.

 

CATASTROFIZAÇÃO Definição: Acreditar que um evento será extremamente aversivo, sempre focando na pior possibilidade possível, aumenta o nível de ansiedade. Exemplos: “Quando eu começar a falar, todos irão rir de mim”; “Eu não suportar o término do meu relacionamento”; “Se todos morrerem, vou ficar sozinho”; “Se eu tiver que começar a tomar remédio, meu corpo não vai suportar”. Correção: Avaliar os eventos e criar estratégias de enfrentamento para lidar com as situações.

 

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