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A Revolução das Terapias Cognitivo-Comportamentais / Parte 1

Autor: Dr Thiago Rivero


Pensamento como objeto de estudo e intervenção:

A psicoterapia concebida por Albert Ellis, psicólogo estadunidense, denominada Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), foi inicialmente publicada em 1956 e esse conteúdo foi ampliado em 1984. Todos esses processos fazem parte das terapias cognitivo-comportamentais. Ele coloca o pensamento como objeto de estudo, relacionando-o diretamente com a forma como as pessoas interpretam os acontecimentos de sua vida e as crenças sobre si mesmo, os outros e o mundo. Ellis, baseou- se no filósofo Epícteto, que no século I d.c. apresentou a asserção “a perturbação emocional não é causada pelas situações, mas pela interpretação dessas situações”. A partir daí compreendemos de forma clara as representações cognitivas, que cada indivíduo desenvolve em sua vida.

 

Relação entre cognição e aprendizagem

Uma representação cognitiva (mental) é um processo mental, no qual, o indivíduo internaliza modelos, corretos ou não, da realidade em que está inserida. Por meio da representação cognitiva o sujeito organiza seu conhecimento, formando redes mentais que servem de base para a forma como interpreta as situações. Quando somos expostos a alguma situação, ativamos nossas representações cognitivas, que determinam a forma como reagiremos naquele momento. Crenças e pensamentos automáticos disfuncionais colaboram para uma interpretação irreal da situação, levando o sujeito a reagir por meio de erros cognitivos, como: supergeneralização, leitura mental, catastrofização, pensamentos tudo ou nada, etc. Nas Terapias Cognitivas (TCs) a cognição é compreendida como mediador da aprendizagem, estabelecendo a ponte entre o indivíduo e o estímulo de forma a interpretá-lo e adquiri-lo, utilizando estratégias interativas para criar significações. Esse aprendizado desencadeia mudanças de percepção e de comportamento que foram avaliadas e testadas empiricamente, por diversas vezes.

 

Do pensamento do comportamento: a importância da verificação empírica

Um dos pressupostos da TCC é sua ênfase na pesquisa empírica: “Baseada numa abordagem empírica e em princípios, a terceira onda da terapia comportamental e cognitiva é particularmente sensível ao contexto e às funções dos fenómenos psicológicos, não apenas à sua forma, e por isso tende a enfatizar estratégicas de mudanças contextuais e experimentais em acréscimo às mais diretas e didáticas. Esses tratamentos procuram buscar a construção de um repertório [de comportamentos] amplo, flexível e efetivo em vez de uma abordagem muito específica para problemas definidos de maneira muito estreita.” (Hayes, 2004).

Sendo umas das abordagens mais utilizadas pelo mundo, a TCC desenvolveu-se por meio de inúmeras pesquisas realizadas que puderam confirmar e compartilhar as intervenções clínicas desenvolvidas. Aaron Beck, um dos maiores disseminadores da TCC comprovou a eficácia do métodos a longo prazo, no tratamento de diversos transtornos mentais, como: depressão, ansiedade, pânico, fobia social, TOC, esquizofrenia, entre outros.

 

Diretividade na ação e profundidade na concepção

A TCC é uma abordagem estruturada, diretiva e com um tempo determinado, na qual é necessária uma ação colaborativa, entre paciente e terapeuta, com o objetivo que o paciente torne-se seu próprio terapeuta, desenvolvendo autoconhecimento e criando estratégias para lidar com os acontecimentos a sua volta. É possível mensurar e avaliar, por meio de alguns instrumentos, algumas cognições como crenças centrais, crenças intermediárias e pensamentos automáticos, que são a base para a forma como reagimos as situações. O Registro de Pensamento Disfuncional (RPD), por exemplo, é uma ferramenta que permite o registro e a avaliação de sentimentos e pensamentos que geram algumas alteração de humor, permitindo assim, que o paciente comece a tomar consciência de como e porque as alterações de humor acontecem. Dessa forma, é possível compreender que mesmo apresentando um potencial positivo, a cognição media também disfunções emocionais e comportamentais, colaborando para reforçar situações negativas que serão compreendidas pelo sujeito como verdades absolutas, potencializando transtornos, como a fobia social e a depressão.

 

 

 

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